Quem se recorda dos velhos tempos da nossa estação de comboios?
Uma estação que ganhou um 1º e um 2º lugar nos concursos das estações mais floridas de Portugal?
Onde a actividade termal e turística do Luso, tinham uma relevância a nivel nacional tão grande, que era paragem obrigatória para quase todos os comboios?
Recordo-me, com saudade, de uma árvore defronte da estação, que tinha um banco, empoleirado nela, como se fosse um ninho.
Muitas vezes, me sentei lá, a observar os combóios e os passageiros e imaginava os destinos que cada um iria seguir. E na paragem de cada combóio, ouvia-se a voz da D. Rosa(julgo ser este o nome) gritar: "Água fresca do Luso", e corria apressada levar a água em bilhas de barro, aos braços que se estendiam das janelas, desejosos por levarem o precioso nectar à boca sequiosa. Depois, o chefe da estação apitava, com a bandeira em prumo, em pano vermelho enrolado e o comboio iniciava a sua marcha vagarosamente, como se lhe custasse sair dali, para outros destinos. E eu acenava aos passageiros, como que a desejar-lhes um destino feliz.
Mal sabia, que alguns anos depois, faria parte dos passageiros assíduos daquela estação, entrando num combóio que me levaria a conhecer outros mundos, onde prosseguiria os meus estudos, para me tornar naquilo que sou hoje. Naquele combóio fiz muitas amizades. Lá conheci aquela que me encantou e que viria tornar-se minha companheira. Cresci.
O combóio era um simbolo de esperança e de futuro desta terra.
As pessoas do Luso que ambicionavam um futuro melhor, embarcavam no combóio e partiam. O combóio permitia alargar os horizontes das pessoas, levando-as a sítios que lhes ofereciam aquilo que não tinham na terra.
Os tempos mudaram. Hoje, são poucos os que usam o combóio para destinos, que outrora nos pareciam longínquos. Hoje, ninguém vende água ou flores, na estação. Hoje, os combóios não fazem fumo. Na chegada dos combóios, os taxistas percorrem com um olhar ansioso, todas as portas de saída em vão, à espera que saia algum passageiro.
O comboio evoluiu. É mais moderno e silencioso. O Luso tornou-se indiferente à sua passagem. Hoje, as pessoas limitam-se a ver passar os combóios.
10 comentários:
caro asdrubal.
Os primeiros 90% do post são saudade. Os últimos 10% não.
O Luso, pouco mais é do que foi noutros tempos. E grande parte da população ainda evoluiu menos.
Anda muita gente a ver passar os combóios, sem querer arriscar.
A nostalgia que se sente neste post, também a partilho, já que tenho um natural fascínio por comboios e, mesmo não sendo do tempo da D.Rosa, custa-me ver o estado a que chegou. Não sei se o asdrubal terá razão, se é uma consequência natural dos tempos, mas sei que não é uma situação normal do ponto de vista do cliente. Se da parte da CP há uma retenção de custos, não podemos esquecer que o comboio não só serve os habitantes da terra como os turistas e aqueles que passam, servindo, de certo modo, de cartão de visitas.
Quanto aos 10%, concordo em absoluto; sofremos na nossa terra de um comodismo crónico...
Bambi...suspeitava mas não sabia que era assim tão evidente. Deixe-os lá, já todos percebemos que são os que mantêm os nicks os que não têm medo e querem do blog um espaço de discussão e crítica, mais do que o achincalho puro e simples. Mas parece-me, de qualquer forma, que não serão muitos...e são de fácil digestão.
Nadigo, concordo em pleno consigo.
estou a ver que o que falta na estação é movimento mas de pessoas, pois bem, acho que a tal biblioteca sempre animava mais aquele espaço.....digo eu
Caro antónio-aleixo, não quer partilhar connosco essa fotografia?
caro António Aleixo.
Agradeço as correcções.
Se quiser enviar a foto para albardas@oninet.pt, terei todo o gosto em colocá-la num futuro post, ou mesmo neste post.
um abraço
Pelo menos agora o Quim tem musiquinha, ar condicionado e melhores condições de conforto.....nada mau.....mas estou a ver as melhores condições de que escreve.....para recuperar a nostalgia de outros tempos que sente......uma máquina a deitar garrafas de água do luso.....com som....em vez do "iuuuuuuuupi", um "freeeeeeeeeeshi".
Vêm na senda dos "Jaguares" ...
Nem mais nem menos, caro grama.
[caro antónio_aleixo, o jerico&albardas já lhe facultou o email, de qualquer modo, o meu é lua@luso.pt. No entanto, porque não dar seu email e solicitar um convite ao Grama-o-fone? Sempre podia acrescentar um texto seu...]
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