
O fundador do Bairro Social Mello Pimenta, se fosse vivo nos dias de hoje, ficava contente por ter conseguido irradiar a pobreza desta terra. Certamente iria constatar que de necessitados por aquelas bandas serão poucos. Pobres d’alma devem existir uns quantos, mas espertos desta vida devem ser bem mais.
Como certamente muitos vêem e observam, há um pouco de tudo “visto de fora”, ou é os “pobrezinhos” com carros novos à porta de casa, alguns tão pobres que conseguem esmola para dois, ou é velos pelas ruas da vila todos bem aperaltados, alguns ostentando “brilhantes” sinais de posses. Mais, pelo que sei, alguém me diga se estou enganada, tirando as “elevadíssimas” rendas que pagam, qualquer problema de maior com a sua estimada habitação, da qual posso arriscar o pensamento de que nunca irão sair, existe um fundo de maneio para pagar alguns problemas de maior, tipo “vidro partido”, “porta com buracos”, etc.
O que mais me choca é que um verdadeiro pobre, dos que têm um P grande, encontra demasiadas dificuldades para lhe facilitarem tecto que lhe dignifique um pouco a vida.
Será que a consciência desses “pobrezinhos” não lhes pesa?
Serão doentes, malandros ou espertos?
Ou nós seremos mesmo Burriqueiros?
7 comentários:
Cara Pitonisa, lol: é genial - e pertinente - a pesquisa bibliográfica que connosco partilhou (já alguém se tinha questionado por aqui)! da minha parte, o meu obrigado (desconhecia alguns - foi à Biblioteca do Congresso?)!
Quanto ao post inaugural da jibita:
a questão que levanta há muito que é falada e comentada sem que se vislumbre uma solução à vista. É, de facto, incompreensível tal situação.
Caro moleirocansado, mesmo se a pobreza fosse um anacronismo estes senhores não têm o direito de lá estar. Em primeiro lugar, não sei por onde anda, mas dizer que não há pobreza no Luso é não querer ver. O problema, meu caro, é que maior parte da pobreza é pobreza envergonhada; não pedem, não chiam, não mamam. Obviamente, não estamos a falar de limiares da pobreza, mas que há gente que precisa muito mais dessas casas dos que alguns senhores que lá habitam. Mesmo que não existissem, a situação continuava a não ser justa. Por que razão é que uns têm de andar uma vida a pagar uma casa e outros, com os mesmo ou mais rendimentos, não? Se não houvesse pobres essas casas podiam servir para outras funções em benefício da comunidade, já que esse era o espírito que animava o seu mentor.
Caro asbrubal concordo em absoluto consigo. Sobre os critérios, a única coisa que sei é que levado a cabo por um grupo de pessoas, as quais sabe com certeza quem são. Não sei como o fazem, mas se fizessem a partir dos rendimentos auferidos penso que a situação não estava assim. O mesmo valendo para as campanhas de solidariedade (mas para isto é preciso um post, uma vez que aqui entram outros factores). No entanto, tenho a certeza que esta comissão, responsável por este bairro, age de boa-fé. Mas, faltaria, uma maior fiscalização e observação da realidade do Luso.
Não é, de facto, uma situação justa ou sequer compreensível! Boa jibita!
[De qualquer modo, a outro nível, confesso que não sou fã de bairros para pobres...isso só leva à segregação e quejando. Devia existir outra alternativa, em que as pessoas não se dividissem desta forma...]
Cara Jibita,
Posting bastante oportuno!
No entanto concordo com o Gutenberg, esta situação vem na linha do "mais capaz" a que assistimos por este país a fora.
Quanto ao remorso que possam sentir ... infelizmente não me parece que a situação tire o sono a muita gente!
Pois concordo com tudo o que disseram.....mas para mim o tom do vosso discurso parece-me bastante acomodado.....talvez à um par de anos não houvesse alternativa a essas pessoas para mudarem de ares, mas ultimamente tem havido alguma construção pelo luso, contando-se pelos dedos os que de lá quiseram sair.......é ver o Sr. Raúl de pópó novo, a família "Bacana" toda pinta.....o pá estão com medo do quê.....eu não posso pactuar com uma coisa destas......sempre me colocou demasiada confusão conhecendo eu realmente quem precise.....à que chamar os "bois pelos nomes"
No que diz respeito ao Bairro Melo Pimenta, sei que os critérios de selecção são rigorosos e que assentam numa análise cuidada das necessidades da(s) pessoa(s) que necessita(m) de um tecto. No entanto, todas as situações aqui descritas, principalmente pelo jibita - seja muito bem vindo a este nosso púlpito e parabens pela pertinência da questão - são o resultado de anos e anos de abandono a que esteve entregue a gestão de tão nobre obra. Com efeito agora existe uma comissão de gestão cosntituída por pessoas que se interessam pelas coisas da terra e que estão atentas às necessidades, no entanto, e como não são omnipresentes, quem tenha conhecimento de situações de carência que urgem de tratamento, contacte o padre da paróquia.
A maior parte das pessoas que habita aquelas casas já são filhos de inquilinos anteriores que, por uma grande falta de acompanhamento das situações, foi ficando e ficando até que "assumiu" o direito eterno ao espaço. Hoje é muito dificil por quem quer que seja "na rua"... para favorecer outros estariamos, paralelamente, a criar novas situações de exclusão social (ainda mais). Há sim é que pegar no espaço e ns situações ali encerradas e tentar acompanhar e ajudar a quem ali se encontra a construir uma vida melhor e bases sólidas para dali poderem sair.
ou seja.....comodismo.....não mechas que é para não levantar muito pó..........
Boa entrada Jibita.
Mais um dedo na ferida... ou talvez mais uma ferida no dedo?
A precisar de um urgente prognóstico e respectivo curativo.
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