
Começando por abordar a questão que levanta o "nosso" Jerico, devo dizer que concordo inteiramente consigo quando diz que no Luso não falta água... ela está é mal distribuída (um pouco como os médicos e os funcionários públicos em Portugal). A SAL leva-nos de cá o ouro e o petróleo do século XXI enquanto os locais ficam a olhar os camiões (não os jaguares!!) a passar. Sim, é um ano de excepção, caso contrário a fonte não teria de ser fechada para abastecer os depósitos de abastecimento ao consumo doméstico... mas, porquê?? Já alguém parou para pensar sobre a razão deste facto??
É que ao contrário do que os jornais, a SAL e a autarquia nos querem fazer acreditar, não é a seca que vai este ano, a responsável pela diminuição brutal do caudal da Fonte São João (FSJ).
Já nos meus tempos de Hotel dos Banhos se lá ia no Verão buscar a água para os clientes mais exigentes... no Verão... e era nesta altura precisamente que a FSJ deitava mais e que a água borbulhava mais intensamente. Isto leva-nos à questão da alimentação da FSJ. Porque é que deitava mais no Verão que no Inverno??
Porque o aquífero que alimenta a fonte tem um longo ciclo de carregamento... isto significa que a água que brota na FSj, percorre as entranhas do nosso querido bussaco há já muito tempo antes de ser aparada nas bicas. Assim, no Verão de antigamente, as pessoas iam à fonte buscar a água que o aquífero recolhia durante o Inverno e, no Inverno brotava a água resultante do periodo de Verão anterior (ou até mais antigo, com toda a certeza).
E porque é que hoje as coisas estão ás avessas?? Porque, ao contrário do que a SAL afirma, é precisamente o mesmo aquífero que abastece o engarrafamento, o balneário e a FSJ. Ao contrário do que afirma o geólogo da SAL (que, coincidência ou não, antes trabalhava no Instituto Geológico e Mineiro e teria uma posição bem contrária à que emite agora - porque será??), foi precisamente o furo que abriram para abastecimento do engarrafamento que retirou "pressão" à exsurgência da FSJ, levando-a a deixar de emitir as tão características bolhinhas (acho que agora contrataram o "viola" para se por aos peidos debaixo de água...).
Ou seja, com a execução de um furo abaixo (muito abaixo) no nível da FSJ, rebaixaram o tecto do aquífero, deixando a fonte, obviamente, de brotar. E, claro que a torneira que agora controla a FSJ, passou a ser fechada no Verão e ligeiramente mais aberta no Inverno, dando a ideia que é a sazonalidade climática que condiciona de forma proporcionalmente directa o débito do caudal da FSJ... Errado. As pessoas foram sendo progressivamente e inteligentemente habituadas a que passasse a haver menos água no Verão que no Inverno porque, concidência das coincidências, a SAL também vende mais água engarrafada no Verão que no Inverno. E como para muitos o hábito faz o monge, agora os crédulos do Luso criticam quem cá vem buscar a água - que é de todos - por causa de trazerem tanto garrafão.
Sim... condeno a postura dessas pessoas e o seu comportamento perante a fonte e as outras pessoas... mas ponham lá uma pessoa ou duas que no fim-de-semana controle a bagunça porque de resto, o direito à água, é universal - a água não é nossa.
Os crédulos do Luso deviam era criticar e condenar a SAL e a CMM uma vez que tanto uma como outra entidade sabiam (e sabem) bem porque é que falta água no Luso... acredito até que a CMM já tenha vindo a saber tarde de mais.. mas isso é outro campo.
Vejam mesmo o que se passou com a definição de um perímetro de 17km(!!!) nos quais ninguém pode, por lei (que a SAL fez aprovar), executar um furo... Concordo plenamente que se limite a iniciativa privada no sentido de proteger e não contaminar o aquífero... isso é certamente ponto de honra. Mas aqui, a CMM deveria ter tido uma postura firme e hirta que nem uma barra de ferro... tinha que assegurar os interesses dos munícipees que é para isso que lá estão a ganhar por cabeça de cada munícipe. Assegurassem o abastecimento público e também não haveria a necessidade privados executarem furos.
Realmente a água é um bem escasso e toda esta discussão em volta do Luso só serve para duas coisas... primeiro, as pessoas poderão ganhar um pouco mais de consciência na utilização racional deste liquido (que no futuro escasseará cada vez mais)... e por outro lado, poderá afectar a já de si débil e pouco atractiva imagem do Luso. O retrato do artigo publicado na "Grande Reportagem", toca em muitas feridas, é injusto noutros casos (vá-se lá perceber como é que a confusão da FJS pode daqui afugentar turistas - alguém debitou e o jornalista não filtrou)... mas quer se queira quer não... a verdade é que quando o Luso surge nas notícias, nunca é por bons motivos...
Meus amigos.... o embuste segue... mas só para alguns!!
14 comentários:
Grande Pérola!
Belas bolachas...
Finalmente! Espero que alguém venha responder a isto!Grande pérola!
Os que sabem têem dois problemas: Ou medo de falar ou foram pagos para não falar. O que dizem do relatório do LNEC que, aquando das obras na FSJ, e do qual existe uma cópia na CMM (e não só) que diz, por outras palavras, que quaisquer obras na FSJ não afectam a SAL mas que o contrário não é de todo verdade?
PArabens Pearl. Só não vê quem não quer!
Continua. È de buchas como esta que podemos alimentar esta terra
Caro Pearl Harbor.
Este post caíu aqui que nem uma bomba.
Este blog, além de possibilitar questionar muitas situações, com pontos de vista e sentimentos dispares, poderá também servir para os principais visados e responsáveis, começarem a clarificar e esclarecer muitas das questões apontadas...
Porque em democracia, temos o direito a saber a verdade. Seja ela qual for...
Fica lançado o repto.
Caro Pearl, gostava de fazer um pequeno reparo em relação ao texto, uma nota de somenos importância perante o todo do texto: a injustiça de que acusa o jornalista não me parece uma acusação justa. A saber: na "Carta ao Utilizador da Fonte de S. João" (CMM, JFL e JTLB)a ideia transmitida é exactamente essa - há que fazer menos confusão para que seja um local aprazível e calmo, pois é um local turístico por excelência. Assim, transcrevo um excerto do dito comunicado:
«Ao mesmo tempo, como recurso turístico que é, a Fonte reveste uma importância vital para a Vila de Luso e para o Município da Mealhada, sendo uma atracção e um cartaz de peso, quer para nacionais, quer para estrangeiros, na divulgação da nossa terra e das nossas ofertas na área da indústria hoteleira.
(...)Esta procura, não pelo recurso turístico que é a Fonte, mas pelo engarrafamento exagerado de água, vem provocando uma deterioração permanente de toda a zona, provocando em alguns dias, situações deploráveis e degradantes, impróprias para uma zona termal e dum modo mais abrangente, incompreensíveis no nosso tempo.
Para defesa da Fonte de S. João e para garantia da continuação da sua utilização por parte de quem a procura, urge impor regras que disciplinem e preservem o local, devolvendo à nascente a dignidade que já teve, como lugar de lazer e de repouso, de amenidade e procura de água para matar a sede a quem vem, e não o arraial conflituoso e anárquico em que está transformada. (...)»
É claro que sabemos que não é por isso que o volume de turistas não tem um saldo mais positivo, mas depois de ler esta "Carta" penso que o jornalista é o menos culpado dessa ideia que, mal ou bem, parece ser a conclusão desta missiva.
E a propósito disto, lembram-se quem apareceu, há uns meses, a falar na televisão sobre este afluxo de gente na fonte muito preocupado com o facto da água levada da fonte ser depois vendida em bares e restaurantes como sendo Água do Luso (SAL)? Pois, acham que é por causa da confusão, do turismo, do respeito pelos outros ou…? Se de facto fossem esses os motivos, não fazem sentido os cartazes, colocavam lá alguém a controlar, como já tinha referido num comentário antigo. Outra incongruência? O que o nosso presidente da Junta diz ao jornalista, que as pessoas que cá vêm buscar água nem uma bica tomam. Não percebo! Ou sou eu que tenho a mania dos compadrios ou “a gota não bate com a perdigota”.
Amigo(a) Lua...
Claro que não estou a acusar de injustiça o Jornalista... apenas acho injusto o comentário sabendo que de certeza o Sr. não terá estado acompanhado das fontes com as visões mais abrangentes e menos tacanhas que era recomendado neste caso... por isso é que escrevi..."alguém debitou e o jornalista não filtrou"... claro que não podia... as suas fontes já estavam contaminadas...
Afinal também temos um tonel que percebe de águas....
Ainda gostava de ver o relatório do LNEC... pode ser que apareça por aí uma bucha...
Obrigado pelo contributo...
muito belo este post, espero que seja impresso também pelas pessoas do luso e que juntem aos restantes para mais tarde recordar....
Sr "Viola" posso encher estes 156 garrafoezitos....deixa...vá lá que eu não o mando pó c*
Se for homem, ele não diz nada, se for uma senhora já sabe o que deve esperar do nosso auto-nomeado guardião da água (sim, porque "A Água é nossa, seus ladrões!"...). Valerá a pena comentar?
Caro asdrubal, não chame apenas à responsabilidade os senhores da SAL, chame também os nossos políticos, ou acha que eles não sabem o que se passa e não o permitiram? Quem passa as informações informações erradas à população?
Concordo com tudo o que disse! E colocou também um dedo na ferida, a da simpatia - sobretudo dos "tascos" que temos, mas também em alguns restaurantes - com que brindamos quem chega. De facto, parece-me que o serviço, a este nível, está em decadência. Ao assistir a isto, parece, de facto, que quando falamos de uma maior implementação do turismo estamos a lutar contra moinhos de vento...vão restando algumas excepções. O que parece que falta a estas pessoas que descuram este acolhimento - mesmo que seja por um simples café - é serem elas, também, turistas, visitarem outros locais, serem servidas e terem a noção que basta uma vez de descuido para que as pessoas não voltem ao local e façam, posteriormente, publicidade negativa.
Concordo plenamente consigo Lua, já assisti a alguns casos desses ao vivo de espasmos de mau humor que até a mim me incomodou...claro que todos temos os nossos dias bons e dias maus, mas o sorriso e a simpatia é prioritária para quem está atrás de um balcão. Ter um "café" não é só servir copos aos amigos, mas sim servir "hotelaria", ter apresentação, instalações cuidadas, entre outras coisas. Talvez um curso de reciclagem não fizesse mal a alguns desses ditos "empresários".
conversa domingueira:
-Onde fica a casa de banho?
-Fica do outro lado da rua (seu anormal)?
Esta eu não assisti, mas foi assim:
Houve uma vez uma velhota que se tentou enfiar dentro da máquina de tabaco, pensando que era a casa de banho... e ... como esta, há outras...
Dava um belo postal.
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