segunda-feira, agosto 15, 2005

Um dia na pesca (Parte II)


Ora, enquanto o Sereno se sentava, em amena cavaqueira, com tão esbeltas moçoilas, o bom do Cabana – que tinha passado a manhã toda a beber minis – começou a cantar alto “És tão boa! És tão boa!..... És tão boa!És tão boa!”. “Ó homem! Cala-te! Pareces o Hermano!” disse o Horácio. “Porquê? Achas que tenho boa voz?” perguntou o Cabana. “Não!... Pareces pandeleiro! Dá a sensação que tens de ser bronco, e falar alto, para te convenceres a ti próprio que as gajas são giras! Não nos digas a nós, que elas são giras, que nós não somos cegos! Diz-lhes a elas!... E pára de bater com a cana na água! Fosca-se!” respondeu o Horácio. Entretanto, uma das moças, farta de se virar e revirar, como um hamburguer na chapa, levanta-se e, sem se preocupar em trazer a parte de cima do biquini, dirige-se na nossa direcção. Óbiamente que o Cabana se calou imediatamente, passando de um riso de gozo e atitude de garanhão latino, para uma pose mais parecida com a do Mr. Bean, quando descobriu que os bebés também fazem cocó! No meio deste misto de baba, olhos arregalados e boca estilo “mosca entrance” em que estava o Cabana, diz a moça algo que nós não percebemos bem, mas que era algo assim:” du iu éve énifingue fréxe tu drinque?”. “O que é que ela está a pedir?” perguntei eu. “Acho que ela está a perdir uma daquelas botelhas de água com sabores! Fréxe.. só pode ser!” respondeu o Horácio. “E agora, como é que a gente descalça a bota! Só há minis!... e poucas ainda por cima!” disse eu. “Ó Cabana, podias ser um gajo simpático, e ir lá acima à estrada,... áquele barzito que nós vimos, e comprar uma águita à menina!” disse o Horácio a piscar-me o olho. “Oquei minin’. Ai vai alez prá compré botelha. Ai volta cuique!” disse o Cabana numa linguagem imcompreesivel enquanto arrancava praia acima, sem se dar conta que o bar estava a cerca de 2km. O Sereno, que se estava a rebolar de tanto rir com a situação, percebendo o que a menina estava a pedir, disse:”Ó pá! Dêem uma mini à moça!”. “Ahhhhh!” dissemos nós. Entretanto, a moça, decerto espantada com a nossa perícia em abrir caricas com os dentes inquiriu “Cane ui joine iu fore lanche?”. “Ó menina! Primeiro almoçamos e só mais tarde é que lanchamos! Se quiser almoçar connosco, temos muito gosto!” respondeu o Horácio. “Oquei!” respondeu o Sereno lá do fundo traduzindo numa palavra aquilo que o Horácio acabava de dizer (acho eu). Entretanto lá voltou o Cabana, mais acabado que um entrevado, com a bela água semi-pesada prá menina. “Fosca-se! Dois euros por uma água!” disse ele ao chegar. “Tás a ver porque é que agente bebe minis!” dissemos nós...

4 comentários:

El Tonel disse...

Não tava a falar de emigrantes! Mas já que me puxam pela língua aqui vai: São como nós! (agora entendam o que quizerem!)

Anónimo disse...

E dão muito dinheiro ao Estado português...

El Tonel disse...

E gajas boas no Verão...

Anónimo disse...

Arre caramba que só pensas em buchas, El Tonel!