No outro dia, fui com o Jerico, ver um teatro de marionetas. Foi uma experiência tão divertida, que quero partilhá-la com vocês.O manipulador, tinha quatro marionetas, uma enfiada em cada dedo, e fazia delas o que queria. Até parecia que tinham vida própria. Falavam e tudo. Só visto. E cada marioneta tinha uma função: Uma era um papagaio que não parava de palrar; outra era um alce, sempre a meter os chavelhos onde não devia; outra era um elefante, com uma grande tromba; outra fazia o papel de urso e havia muitas mais... sempre a aparecer e a desaparecer.
“Isto é tudo a fingir...” - disse eu ao Jerico, que estava com cara de quem não tinha percebido nada. “...as marionetas, só fazem e dizem aquilo que o manipulador quiser” – reforcei eu. “E ainda tem um dedo livre porque aqui, há sempre lugar para mais uma" – disse, aparentando um ar de entendido.
O Jerico, até estava com os olhos esbugalhados. Parecia completamente embasbacado, com a facilidade, com que uma só mão, conseguia manipular tantas marionetas. O que seria com duas mãos?
No final do teatro, ainda deu tempo para conversar um bocadinho com o manipulador.
- Como é que consegue arranjar tantas marionetas, tão bonitas e algumas tão fotogénicas?- perguntei eu, cheio de curiosidade. Respondeu-me que era muito fácil arranjar marionetas.
"-Basta arranjar uns trapos e uns farrapilhos - disse - condição indispensável é garantir um interior oco, para pudermos manipulá-las, sem ninguém perceber- continuou o manipulador, perante o meu ar surpreendido e estupefacto.
-Então e o cenário? Estão sempre a mudá-lo?- perguntei eu, verdadeiramente empolgado, por estas coisa da arte. Não... – disse ele, com um olhar de estranheza pela minha ingenuidade - ...Montamos um cenário, de tempos a tempos e depois, só mexemos um bocadinho nas marionetas e nos textos. Olhe... depende do feed-back dos nossos espectadores... – e acrescentou - ...Por exemplo, este ano, está na hora de mudar de cenário e trocar umas marionetas. É que há espectadores, que começam a ficar um bocadinho saturados de nós e das minhas peças de teatro. Tou com receio que optem por outro, apesar da minha experiência de muitos anos a trabalhar nisto – desabafou.
Pois é, ... o senhor já tem muitos anos disto. Vê-se pelas suas mãos bem calejadas... disse eu em jeito de despedida e de reconhecimento por estes artistas, que ganham a vida, a entreter e a divertir as pessoas.
E assim regressei ao meu moinho, sem deixar de matutar naquele teatro de marionetas e em tudo o que tinha aprendido. “Ó Jerico, será que na nossa parvónia, temos gente com mãos, para esta arte?”
10 comentários:
Para sabermos quem é o mestre, temos de conhecer as marionetes... Ora bem?!!! Quem é que vocês conhecem, que ande sempre com os olhos esbugalhados? Vá... Toca a por a boca no trombone... tamos à espera...
Já agora... vocês não sentem uma certa pena pelas marionetes... não deve ser nada fácil andar sempre com um dedo no...! Vocês não acham...
Liberdade para as marionetes!!! JÁÁÁÁ!!!!
Parabéns pelo excelente post com que nos brindou, mais uma vez. A analogia está, de facto, bem apanhada, mas parece-me que o "artista" da nossa terrinha, que "tem as mãos calejadas" também não passará de um mero bonifrates. Não temo marionetas nem fantoches, mas temo os artistas que, no lugar seguro do "segundo plano" ou bastidores, manipulam furtando-se à imputação da responsabilidade e se mantêm 'ad aeternum' - inclusive quando não figura o seu nome nas listas políticas – na gestão do poder político.
De qualquer modo, generalizando, não podemos assumir que o único modo de fazer política é assim (na linha de um Leviathan de Hobbes ou Príncipe de Maquiavel) já que ao fazê-lo caímos na fácil crítica do descrédito da política (e não (só) de alguns políticos) e justificamos, de alguma forma, as marionetas e os artistas que as animam.
Mais uma vez, os meus parabéns.
Quanto às que irão surgir como personagens “principais”, fico à espera de ver se é um bom ou mau espectáculo…Mas espero que se tenha bom-senso e razoabilidade nas escolhas e não se caia na bacoquice de escolher pessoas que nunca tiveram qualquer acto político de intervenção só porque são “bem”, “populares”, “malta nova” e outros pretextos que não o que realmente importa: o mérito.
Que se comecem já a perfilar novos "artistas" da Terra, para que daqui a uns tempos não tenhamos que recorrer a saltimbancos!!! Daqueles tipo “itinerantes” …
Será que os novos artistas irão chegar naquelas carrinhas da Gulbenkian que passavam volta e meia pelo Luso?
Essas carrinhas fizeram um óptimo serviço pela população, já que traziam livros para as pessoas lerem, livros esses não disponíveis a grande parte da população. E, por falar em livros e bibliotecas públicas, a Mealhada tem uma muito interessante. Para quando um espaço daqueles no Luso? Para os habitantes e para os que nos visitam! Muita falta nos faz...
Venha de lá esse posting Lua!
Porque não conseguirem que se utilizasse o Salão do Casino e salas adjacentes para esse fim ... e o próprio Salão para visionamento de filmes? E porque não ressuscitar o conceito da antiga "cinemateca" do Luso?
Está no prelo, Grama-o-fone...
Já foram publicadas as listas para o passatempo de outono...já viram?
Onde?
No site da Junta de Freguesia?
na câmara...mas não no site...(acho que já são públicas, porque soube de quem as já as viu; só sei dAs cabeças de lista e pouco mais e por isso perguntei)
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