Uma bola de pano, num charco
Um sorriso traquina, um chuto
Na ladeira a correr, um arco
E o céu no olhar de um puto
.
Uma fisga, que atira a esperança
Um pardal de calções astuto
E a força de ser criança
Contra a força de um "chui" que é bruto
.
Parecem bandos de pardais à solta
Os putos, os putos
São como índios, capitães da malta
Os tunos, os tunos
Mas quando a tarde cai
Vai-se a revolta
Sentam-se ao colo dos pais
E a ternura que volta
E ouvem-no falar do homem novo
São os tunos deste povo
Que nunca serão homens
.
As caricas brilhando na mão
A vontade que salta ao eixo
E um puto diz que não
Se a "porrada" vier não deixo
.
Um berlinde abafado na escola
Um pião na algibeira sem cor
E um tuno que pede esmola
Porque a sede lhe abafa a dor
4 comentários:
Ena!
E, aproveitando a dica do nosso Bambi e tentando responder-lhe, uma cantiga escrita pelo ainda mais nosso Ary dos Santos, cantada por Fernando Tordo. Um hino a nós e aos outros...
"Não importa sol ou sombra
camarotes ou barreiras
toureamos ombro a ombro
as feras.
Ninguém nos leva ao engano
toureamos mano a mano
só nos podem causar dano
de esperas.
Entram guizos chocas e capotes
e mantilhas pretas
entram espadas chifres e derrotes
e alguns poetas
entram bravos cravos e dichotes
porque tudo o mais
são tretas.
Entram vacas depois dos forcados
que não pegam nada.
Soam brados e olés dos nabos
que não pagam nada
e só ficam os peões de brega
cuja profissão
não pega.
Com bandarilhas de esperança
afugentamos a fera
estamos na praça
da Primavera.
Nós vamos pegar o mundo
pelos cornos da desgraça
e fazermos da tristeza
graça.
Entram velhas doidas e turistas
entram excursões
entram benefícios e cronistas
entram aldrabões
entram marialvas e coristas
entram galifões
de crista.
Entram cavaleiros à garupa
do seu heroísmo
entra aquela música maluca
do passodoblismo
entra a aficionada e a caduca
mais o snobismo
e cismo...
Entram empresários moralistas
entram frustrações
entram antiquários e fadistas
e contradições
e entra muito dólar muita gente
que dá lucro as milhões.
E diz o inteligente
que acabaram as canções."
Lálálálálálálá...
(Desculpem a petulância e possível pedantismo, mas não resisti...)
Encontrámos o "inteligente"...:P
Grandes músicas, com letras, cheias de mel e fel, que escasseiam, nos nossos dias, talvez um abrunhosa.
Ó Jerico, sai da frente que está a estorvar...
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