
Ontem recebi uma carta que dizia o seguinte:
“Sr. El-tonel etc etc
3050 – 824 LUSO
Assunto: Queixas sobre ruido nocturno.
Exmo Senhor
De acordo com o art nºetc etc etc.... perante as sucessivas queixas sobre ruidos nocturnos feitos por V. Exa.... multa de 500 euros pagável por multibanco etc etc etc.
Atenciosamente
O Comandante”
Peguei na minha casaleira e lá fui eu. Assim que cheguei avenida saltou um guarda do ecoponto, qual tigre da Sibéria, que me queria multar pelo ruido da motorizada.
“Ó sor guarda. Não me faça isso! É que eu tirei o silenciador para isto poder levar comigo, com a minha Maria e com a minha pequenita Renata Vanessa! Se lhe ponho o silenciador isto não anda” disse eu. “Três em cima de uma motorizada? E vão duas!” retorquiu o agente enquanto sacava um livrito do bolso. Entretanto estava a chegar o Sereno com um papel de multa na mão e dirigiu-se ao agente “Ó Zé tens de me safar desta! Fui agora multado por um colega teu por não trazer cinto!”. Enquanto o guarda lia o papel o Sereno comprimentou-me. “Então ò Tonel, sempre à bucha lá em casa no domingo?”. “Sabes como é que é! Porco no espeto como de costume e tinto de Aguim” disse eu. “Ouve lá, porque é que não convidas aqui o nosso amigo Zé para vir também. Ouve lá Zé: o que achas da ideia?” disse o Sereno. O guarda esboçou um sorriso debaixo do bigode e disse: “Podem contar comigo! A que horas?”. “À tarde, a partir das cinco, que as noites de sábado são muito duras!” combinei eu. “Afinal o que vieste cá fazer?” perguntou o agente. Mostrei-lhe a carta. “Anda cá comigo que eu já trato disto. Ó Sereno, não te preocupes que eu falo com o meu colega” disse o nosso grande amigo Zé.
Levou-me até um colega que tinha que tomar nota da ocorrência.
“Ó sor guarda. Eu não tenho culpa do barulho! Lá porque ressono alto e calco um sapito mais barulhento de vez em quando isso não é suficiente para acordar a vizinhança.” E continuei “O cheirinho, isso é outra coisa! Havia de ver a minha pequenita Renata Vanessa. Às vezes até fica com lágrimas nos olhos. Até dá pena.”
“Dantes havia barulho à noite o ano inteiro e ninguém se queixava, e agora, lá porque o feijão já não tem tanta qualidade, toda a gente se queixa dos meus ruídos” disse eu. “Bom, como é a primeira queixa, vamos fazer vista grossa, mas para a proxima vamos lá medir os decibeis e se ultrapassar este risquito vermelho, vamos ter de o autuar” disse o guarda. Em jeito de despedida convidei-o para vir também com “o nosso grande amigo Zé” no próximo domingo e ele disse logo que sim. Eu vi logo que pelo tamanho das pancitas eles eram cá dos meus!
4 comentários:
Muito bom!Mas mexe em tanta coisa - do feijão ao feijão-verde (já agora, sabia que o feijão-verde também se pode chamar feijão-carrapato?)- que nem me atrevo a comentar mais, por enquanto...
Espero que isso seja mais uma constatação que uma justificação...
arranjos, combinações, permutas, tudo matemática da boa, que se resolve facilmente, com buchas...
El tonel,
continuas ao melhor nível.
Vai guardando essas histórias, que ainda vai dar um "best seller",... ou um "serial killer".
Não te esqueças de lhes pedir um colete...
fa!
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