quarta-feira, agosto 24, 2005

Notícias da parvónia


Agarra que é ladrão, disseram os empregados, de um conhecido restaurante da nossa praça.
O que é, e o que não é, confusão geral, pessoas atropeladas, apanhem-no que ele foge, ai o bandido, e mais não digo... foi uma correria desatada do jogo do apanha, onde ganhou o apanhador.
Acalmados os ânimos veio a saber-se que um jovem de tenra idade, de paradeiro desconhecido, após um belo repasto, terá tentado sair do restaurante, sem pagar. Valeu a atenção de um empregado, bem mais gordinho e com mais idade, mas que mostrou, que barrigas vazias correm mais que estômagos cheios.
Argumentou o jovem que tinha acabado de sair da prisão.
Não sabemos porque crimes respondia, mas dá que pensar. Em que sociedade vivemos, para os jovens enveredarem por caminhos tenebrosos? Quais os valores familiares, da nossa sociedade e instituições, que falham na preparação dos nossos jovens? Que frequentemente se enleiam na malha espessa das drogas? A nossa parvónia estará preparada para estes problemas? Qual vai ser o futuro dos nossos filhos? Uns polícia, outros ladrão?

2 comentários:

Anónimo disse...

caro António Aleixo - seja bem-vindo -, é verdade que vivemos num mundo de desigualdades, mas dizer que "os pobres não querem ficar atrás dos outros" e por isso roubam, não me parece válido, pois não há correlação entre pobreza e roubo. Se atender ao nosso Luso, verá que não são os pobres (economicamente falando) que andam a roubar, mesmo com vidas árduas e pesadas. Não sei se temos exemplos no Luso (e na freguesia) de pessoas no limiar da pobreza, mas continua a existir muita dificuldade económica envergonhada, que faz com que estas pessoas sejam penalizadas duplamente. Geralmente, quem chia muito, parafraseando o ditado, mama sempre e, não raras vezes, não merece a ajuda alheia. No entanto, não estamos a falar disto, que dará um post, mais que um comentário...
Mas o mote deste post foi o do roubo (os polícias também são alimento suficiente para outro post). Em determinadas alturas do ano, ao avaliar a proporção densidade populacional ‘versus’ índice de criminalidade, parece que vivo num ghetto de uma grande cidade. Todos sabemos quem são, mesmo a polícia, mas não há flagrantes. Roubam para comer? Roubam por ser pobres? Poupem-me! É que os roubos que existem por aqui não é de comida, é de dinheiro e automóveis.
Há instituições de apoio a estas pessoas (outro post)bem perto de nós, mas quando, na maior parte das vezes, a própria família não quer ver o que está acontecer e apara as quedas dos meninos, o que podemos fazer?
Quanto ao caso que nos apresenta no post, não sei os contornos para poder falar, até porque o facto de ter saído da prisão só diz que essa pessoa errou e pagou pelo erro à sociedade, coisa que sabemos muitas vezes rarear, morrendo a culpa solteira. Tenho a certeza que se o puto se dissesse esfaimado e sem dinheiro, alguém lhe ofereceria comida.
Quanto às questões que faz, amigo Jerico & Albardas, não tenho respostas, ainda que pense muitas vezes nisso. No entanto, gostava de introduzir duas linhas no tecido da reflexão que nos propõe: uma, a de que a percentagem de jovens com estes problemas e que enveredam por caminhos mais esconsos, não são uma maioria; a outra, que a educação é fundamental – não que exista falta de valores (quando se fala de crise de valores, fala-se de uma crítica de valores instituídos, mais do que ausência de valores) ou que as famílias se escusem ao seu papel formativo (ainda que isso aconteça amiúde), mas a escola e as associações são espaços de ensaio para a democracia e temos uma alta percentagem de fuga à escola (outro post).

El Tonel disse...

Pois é..., mas não posso concordar que a nossa terrinha, seja um exemplo muito vincado destas situações.

As invejas, as picardias, a concorrência e as imitações, são típicas de qualquer sociedade humana. Quanto mais pequena, mais estas situações se tornam notadas. E a nossa pequena sociedade, quanto a mim, tem a "sorte" de não ter assim tantas situações...

Roubar para comer, não me parece que seja crime, aliás, não deve haver assim tanta fome, porque a fruta apodrece nas árvores (como me diria um amigo: "já não há putos como antigamente"). Que eu saiba, a maneira mais fácil de matar a fome é com uma peça de fruta (Se for roubada - melhor sabe!)

Finalmente, a pressão da sociedade para que compremos, casa, carro, Tv, Telemóvel, DVD, Camcorders, Maquina fotográfica, computador, férias no Brasil etc, é demasiadamente forte. Dão-se cartões de crédito a toda a gente, não se explica tudo sobre os créditos, contas-ordenado, despesas de manutenção etc - é um poço sem fundo... a única solução é não entrar...

Saber viver segundo as suas possibilidades, sem vaidades e devaneios, não custa assim tanto. Quem não sabe fazer isto, normalmente, opta pela inveja e pela raiva... mas é bom que entenda que o problema está nele e não nos outros...

Poderia, e deveria haver, mais e melhor justica social. Quero acreditar que, temos caminhado nesse sentido, se bem que às vezes tenha dúvidas...

É por isso que a malta curte as buchas: toda a gente entra desde que contribua (mesmo os surrões também comem se aparecerem)

.... Pronto! Tão satisfeitos!... Desta vez é que deixei mesmo queimar as febras.... sniffff