segunda-feira, agosto 15, 2005

A propósito de engates…e hienas



Todos sabemos que o Luso é profícuo em gerar (pseudo) engatatões. Estes cavalheiros gostam de se gabar do que “fazem” e defendem-se sempre com a sua masculinidade para comerem as gajas…ou melhor, para comerem o que podem e os deixam…A questão da selecção parece ser a linha que separa os que querem comer e chiam muito (tipo hiena) dos que comem.
Os hiena sabem tudo sobre sexo, desde os fetiches da moda às cartilhas publicadas por revistas de tanto interesse como a Cosmo e a Maxmen, gostando de mostrar aos seus pares – e se houver mulheres por perto que sejam meio apagadas, melhor – os machões que são e as técnicas que “usam”. Este tipo de criaturas, o tipo hiena, são, invariavelmente, meninos da mamã que têm medo de mulheres independentes, inteligentes e com alto índice de fodibilidade, grunhindo o ‘faço-e-aconteço’ mas que balbuciam na intimidade com elas, apelando à triste figura de rapaz sensível que até não tem vergonha de chorar (à espera de colo). A verdade é que isto parece pegar com algumas mulheres, por muitos motivos que não se prendem com o desejo de uma boa queca. São estes “homens”, aliás, que levam com os orgasmos falsos, ainda que jurem a pés juntos que com eles nunca ninguém fingiu (ainda que não façam ideia como tal se verifica)…
Mas falava de selecção.
Pois bem, os cavalheiros tipo hiena gostam de dizer que são homens e, como tal, não recusam uma (promessa de) queca, usando a pretensa masculinidade cobridora dos restantes animais. Partindo da premissa que todas as mulheres têm o seu quê de comestível e que eles, como homens que são, não podem dizer não, constituem-se como exemplo dos que falam mais do que comem. Os outros homens sabem disso; e as mulheres…também. Assim, os homens tipo hiena comem tudo o que lhes aparece à frente, porque a fome é grande e como boas hienas que são, aproveitam os restos não comestíveis pelos outros (e por isso, sendo sempre o último recurso das mulheres), que calados “escolhem” o que comem, seguros das suas opções, sabendo optar mais que reagir a impulsos fisiológicos (homens, portanto).
O mais curioso, é que estes cavalheiros tipo hiena, invariavelmente, escolhem para companheiras oficiais mulheres com pouco curriculum, meio apagadas e algo totós (ainda que bonitas e elegantes, para os amigos verem e invejarem), para que possam continuar a ser, eternamente, os engatatões que pretendem ser. E as suas presas extra-conjugais, geralmente, também são mosquinhas mortas, fazendo jus à sua característica necrófila (vd. ‘parafilias’) . Estar na cabeça desta gente deve ser de fugir…
Mas dentro desta espécie de engatatões tipo hiena, podemos vislumbrar vários sub-grupos, que se distinguem pelo tipo de engate. Eis os mais comuns:
I. Os hiena-dromedário (também conhecidos como “o cão de Pavlov”). Quando falam de mulheres estão sempre a sugar a própria saliva (“Ai que eu comia-te toda; ai que és tão boa”; etc) e cujo engate é feito, mais ou menos, nestes moldes:
Hiena-dromedário: - Olá! Então?...(procuram o olhar de carneiro mal morto e sorriem o melhor que podem, lembrando-se como o fizeram ao espelho)…Tudo bem contigo?
Mulher:- ‘Tá; e contigo?
H-D: Hummm…(grunhem, carinhosos e procuram o olhar da mulher, para tentar que ela se embarace)…Tomas alguma coisa?
Mulher: Um James Martin’s, sem gelo…
H-D: (ui ui, esta gaja já está no papo…ainda que um bocado carota…) Boa escolha, o melhor whisky de sempre…Tens bom gosto, vê-se que és mulher com classe…De que é que gostas mais (perguntam num tom meloso e a sugar a saliva que pende no canto dos lábios)? Hummm…? (entretanto a linguagem corporal diz o resto, já que o H-D está todo debruçado sobre a senhora).
Mulher (variação I): Tenho de ir ao quarto-de-banho (onde se irá rir a bandeiras despregadas). Já volto (se calhar, totó).
Mulher (variação II): Gosto de tripas à moda do Porto (será que ele assim percebe?)…
Mulher (variação III): Cunnilingus…
H-D: Hummm…Eu também adooooooro….(‘Fosca-se’! Nem morto!)

II. Outro sub-grupo é o que tem como elementos os tipo amiba. O tipo amiba é aquele que fica nervoso com a presença da mulher que quer engatar e pede conselho a um homem amigo de confiança ou, geralmente, leu numa revista o que as mulheres gostam. Assim, opta por três pilares da conversa: a família (para que ela saiba o quão sensível e caseiro que ele é, mostrando ao mesmo tempo que as suas intenções são as melhores), a culinária (porque leu que elas adoram homens que se interessam por isso) e a filosofia (para mostrarem às mulheres que respeitam a sua inteligência). Mas, como amiba que é, ainda que tenha a lição bem estudada, o engate passa-se mais ou menos assim:
Hiena-amiba: Olá!
Mulher: Olá…
Hiena-amiba: Gostas de nabos? (culinária)
Mulher: Hã?...Não!...
Hiena-amiba: Tens um irmão? (família)
Mulher: (????)...Não!...
Hiena-amiba: Hummmm…E se tivesses um irmão, ele gostaria de nabos? (filosofia)

III. Por fim, um outro sub-grupo são os hiena-camaleão. Estes espécimes adequam o engate à mulher que se encontra à frente, dando espaço para esta falar e agindo em conformidade com os seus gostos (um pouco como a estória do “bom atirador” que afinal primeiro mandava o tiro e depois desenhava o alvo). Assim, perante uma mulher mais superficial recorrem ao eterno chavão da pseudo-poesia e dos sítios onde já estiveram e das pessoas que conhecem para a impressionar. Já perante uma mulher mais informada e culta, suam para se lembrarem de alguns nomes de referência e deixam-na destilar, enquanto está a pensar como deve dar-lhe a volta, optando – por ser parco em argumentos inteligentes – em concordar com tudo o que ela diz, mostrando para si próprio a atitude paternalista de quem sabe muito mais do que diz, para que o ego não se lhe ressinta:
Hiena-camaleão: Adoro ler…Qual o teu autor preferido?
Mulher: James Joyce…
Hiena-cameleão: Grande escolha! Ando há n tempo para o ler, mas ainda não tive oportunidade…
Mulher: Devias ler…E qual o teu autor preferido?
H-C: Bem, é difícil dizer um…
Mulher (atalhando): Diz mais que um…
H-C: Bem…sabes…é-me difícil, gosto de muita coisa, sabes? Eu sou um gajo eclético…É difícil escolher alguns e esquecer os outros…
Mulher: (não insiste, para não se desiludir mais) Ok…percebo…
(tempo morto, olhares dela no vazio…)
H-C: Mas, diz-me, gosta de música?
Mulher: Muito…Jazz, sobretudo….
H-C: (corta a palavra, antes que ela comece a falar de nomes) Ena! Grande mulher! Tens mesmo bom gosto! Eu também tenho lá em casa uns discos em vinil de jazz…Adoro vinil, tem outro som, não achas!?… Antes de deitar, gosto de pôr a tocar um vinil de jazz para relaxar, fumar um cigarrinho, ler um livro, beber um scotch…Muito bom, mesmo! É o meu estilo preferido…os putos agora só ouvem cenas estranhas, não achas?
Mulher: (não, não acha, mas lá tenta continuar a “conversa”) Algum músico em particular?
H-C: (todo contente, porque sabe responder) Eu gosto muito daquela gaja, a Diana Krall, sabes? É fantástica!
Mulher: Ah…sim sim…é boa é… (diz, pensando: deves gostar desde que o Herman falou nela…Se aquilo é jazz, o Júlio Iglesias é o rocker de todos os tempos…)
H-C (confiante): E cinema? Costumas ir?
Mulher: Sim, quando o filme me interessa…
H-C: Eu adoro! Para mim o cinema é qualquer coisa de fantástico…Qual sétima arte! É a primeira! Sou um cinófilo por excelência! E o que te interessa? Que realizadores gostas?
Mulher: (cinéfilo, rafeiro…já exausta, desfia a ladainha) Peter Greenway, Lars von Trier, Emir Kusturica, Frederico Fellini, Ettore Scola Roman Polanski, Eisenstein, Fassbinder, Truffaut, Wim Wenders, David Lynch, David Cronenberg, Nanni Moretti e Kubrick…E tu?
H-C: (tosse) Temos os mesmos gostos!; eu gostei muito do “Gato Preto Gato Branco”. Hilariante! E aquela cena da gorda a arrancar pregos com… Ehehehheehh… (ri sonoramente; depois, recompõe-se pigarreando) Bem, é difícil dizer-te do que eu gosto. Sabes, eu não gosto de filmes comerciais e não tenho memória nenhuma para os realizadores e para os títulos, o que me interessa é o produto final, sabes? O filme em si, percebes?, ‘tás a realizar?
Mulher: sim…percebo…bem, tenho de ir. Obrigada pelo copo, mas tenho de ir nanar (para esquecer esta “conversa”…).
H-C: Ohhh…ok, tens de ir, tudo bem, não te prendo mais…até amanhã…depois continuamos…adorei falar contigo… (ufff, suspira de alívio…Pega no telemóvel e telefona para a namorada, procurando qualquer mimo para o seu ego: “Então, fofinha, o que estás a fazer?...Ah, sim? A sério? Não! A sério? Ai quando a mulher dele descobrir! Estes gajos…não os percebo…Mas, olha lá, essa novela está quase no fim não está?...Sim, amor, já vou para casa (dela ou dos pais), estou cheio de saudades tuas (pudera!) e aqui não se passa nada (pois não, já passou...)…”)

2 comentários:

Anónimo disse...

hiena pá!!!
Ai que me saltam as bolas, de tanto rir...
Divinal.

Anónimo disse...

tem razão asdrubal, mas não pretendi satirizar a relação entre homens e mulheres, mas mostrar-vos alguns "homens"-tipo da nossa praça, que gritam aos sete ventos os garanhões que são. Felizemente, há ainda muito homem, dignos desse nome, por aí.