quarta-feira, agosto 10, 2005

Sal, Sal, Sal.....e pimenta!


Estão sempre a bater no ceguinho, mas ainda ninguém deu uma volta pela freguesia para apreciar os belos exemplares de eucaliptos, que florescem como cogumelos junto a tantos cursos de água, muitos dos quais já bem sequinhos, por sinal.

Batata, não, cansa e não rende...

Arvores de fruta, não, não quero ir vender para a praça e estar sujeita a levar com o telhado (ou telheiro) em cima...

Já sei......Vamos mas é plantar uns acalitos!

5 comentários:

El Tonel disse...

Bambi

Este é dos tais assuntos que toda a gente sabe mas ninguém comenta, porque todos comem.

Parafraseando um famoso autor da nossa terra (Mr. De Li'nos), autor da famosa peça: "tercius et falicus"; e uma das pessoas que realmente percebe do assunto nesta terra: "Vamos mazé plantar eucaliptos pró campo de futebol". Que é como quem diz....

jibita disse...

Engraçado que a comparação que estabecem com a àrea ardida é com o ano de 2003. No ano transato os lobis dos incêndios deviam estar ocupados com a bola, porque não me lembro de tamanha calamidade!!! Que esteve calor esteve, e que o futebol pára muita coisa, lá isso pára!!! Quanto aos "entendidos" dos eucaliptos é pena não perceberem o contexto económico do negócio. Infelizmente para muitas pessoas, inventaram o dinheiro para sobrevivermos neste mundo. Se se ganha muito mais com eucaliptos do que com uma barraca na praça isso não tenho dúvidas, e possívelmente até emprega mais pessoas. Acho sim que devia haver era um número de plantações restritas por áreas para não por em causa os recursos hidricos. Agora, quem não gosta que plante batatas e apanhe fruta e apresente as contrapartidas financeiras, vejo muito terreno com silvas que os proprietários não se iriam importar de ceder para explorações agrícolas. Até o Luso ganhava outra color.

jibita disse...

Por falar em fogos, aqui vai:

"A evidência salta aos olhos: o país está a arder porque alguém quer que ele
arda. Ou melhor, porque muita gente quer que ele arda. Há uma verdadeira
indústria dos incêndios em Portugal. Há muita gente a beneficiar, directa ou
indirectamente, da terra queimada.

Oficialmente, continua a correr a versão de que não há motivações económicas
para a maioria dos incêndios. Oficialmente continua a ser dito que as
ocorrências se devem a negligência ou ao simples prazer de ver o fogo. A
maioria dos incendiários seriam pessoas mentalmente diminuídas.

Mas a tragédia não acontece por acaso. Vejamos:

1 - Porque é que o combate aéreo aos incêndios em Portugal é TOTALMENTE
concessionado a empresas privadas, ao contrário do que acontece noutros
países europeus da orla mediterrânica?

Porque é que os testemunhos populares sobre o início de incêndios em várias
frentes imediatamente após a passagem de aeronaves continuam sem
investigação após tantos anos de ocorrências?

Porque é que o Estado tem 700 milhões de euros para comprar dois submarinos
e não tem metade dessa verba para comprar uma dúzia de aviões Cannadair?

Porque é que há pilotos da Força Aérea formados para combater incêndios e
que passam o Verão desocupados nos quartéis?

Porque é que as Forças Armadas encomendaram novos helicópteros sem estarem
adaptados ao combate a incêndios? Pode o país dar-se a esse luxo?

2 - A maior parte da madeira usada pelas celuloses para produzir pasta de
papel pode ser utilizada após a passagem do fogo sem grandes perdas de
qualidade. No entanto, os madeireiros pagam um terço do valor aos produtores
florestais. Quem ganha com o negócio? Há poucas semanas foi detido mais um
madeireiro intermediário na Zona Centro, por suspeita de fogo posto.
Estranhamente, as autoridades continuam a dizer que não há motivações
económicas nos incêndios...

3 - Se as autoridades não conhecem casos, muitos jornalistas deste país,
sobretudo os que se especializaram na área do ambiente, podem indicar
terrenos onde se registaram incêndios há poucos anos e que já estão
urbanizados ou em vias de o ser, contra o que diz a lei.

4 - À redacção da SIC e de outros órgãos de informação chegaram cartas e
telefonemas anónimos do seguinte teor: "enquanto houver reservas de caça
associativa e turística em Portugal, o país vai continuar a arder". Uma
clara vingança de quem não quer pagar para caçar nestes espaços e pretende o
regresso ao regime livre.

5 - Infelizmente, no Norte e Centro do país ainda continua a haver incêndios
provocados para que nas primeiras chuvas os rebentos da vegetação sejam mais
tenros e atractivos para os rebanhos. Os comandantes de bombeiros destas
zonas conhecem bem esta realidade.

Há cerca de um ano e meio, o então ministro da Agricultura quis fazer um
acordo com as direcções das três televisões generalistas em Portugal, no
sentido de ser evitada a transmissão de muitas imagens de incêndios durante
o Verão. O argumento era que, quanto mais fogo viam no ecrã, mais os
incendiários se sentiam motivados a praticar o crime...

Participei nessa reunião. Claro que o acordo não foi aceite, mas
pessoalmente senti-me indignado. Como era possível que houvesse tantos
cidadãos deste país a perder o rendimento da floresta - e até as habitações
- e o poder político estivesse preocupado apenas com um aspecto
perfeitamente marginal?

Estranhamente, voltamos a ser confrontados com sugestões de responsáveis da
administração pública no sentido de se evitar a exibição de imagens de todos
os incêndios que assolam o país.

Há uma indústria dos incêndios em Portugal, cujos agentes não obedecem a uma
organização comum mas têm o mesmo objectivo - destruir floresta porque
beneficiam com este tipo de crime.

Estranhamente, o Estado não faz o que poderia e deveria fazer:

1 - Assumir directamente o combate aéreo aos incêndios o mais rapidamente
possível. Comprar os meios, suspendendo, se necessário, outros contratos de
aquisição de equipamento militar.

2 - Distribuir as forças militares pela floresta, durante todo o Verão, em
acções de vigilância permanente. (Pelo contrário, o que tem acontecido são
acções pontuais de vigilância e combate às chamas).

3 - Alterar a moldura penal dos crimes de fogo posto, agravando
substancialmente as penas, e investigar e punir efectivamente os infractores


4 - Proibir rigorosamente todas as construções em zona ardida durante os
anos previstos na lei.

5 - Incentivar a limpeza de matas, promovendo o valor dos resíduos, mato e
lenha, criando centrais térmicas adaptadas ao uso deste tipo de combustível.


6 - E, é claro, continuar a apoiar as corporações de bombeiros por todos os
meios.

Com uma noção clara das causas da tragédia e com medidas simples mas
eficazes, será possível acreditar que dentro de 20 anos a paisagem
portuguesa ainda não será igual à do Norte de África. Se tudo continuar como
está, as semelhanças físicas com Marrocos serão inevitáveis a breve prazo.

José Gomes Ferreira
Sub-director de Informação - SIC"

Anónimo disse...
Este comentário foi removido por um gestor do blogue.
Anónimo disse...

Quanto mais desértico o país ficar, melhor; as árvores só atrapalham o campo de batalha de uma guerra qualquer que estamos a prever, para a qual já estamos bem apetrechados, pela mão do senhor Paulo Portas (com montantes pornográficos!).
"Vá lá, vamos brincar aos soldadinhos!"