sexta-feira, agosto 05, 2005

Porno

Quando falamos do Luso, da necessidade que há em resolver determinadas coisas, parece que, invariavelmente, nos ficamos pelo centro (avenida Em. Navarro e Fonte de S.João) e pelas Termas. De facto, como tantas vezes vimos, parecem ser estes os cartões de visita para visitantes e turistas.
Hoje queria propor-vos pensar em locais periféricos a este núcleo-duro. Não se trata, sequer – e como muito bem referiu o nosso asdrubal – das localidades que compõem, para além do Luso, a nossa freguesia, mas antes de zonas do próprio Luso.
O Bambi já deve estar à espera e perscruta bem os meus “fetiches”, por isso vou começar pela Avenida dos Castanheiros (ou melhor, dos plátanos), que tem sido retirada do contexto turístico, o que mascara a incúria dos nossos dirigentes políticos, fazendo jus à ideia da empregada incompetente que varre o lixo do chão para debaixo do tapete e só tira o pó que se vê num primeiro relance.
Esta zona, que eu considero bastante aprazível, ou pelo menos com potencial para tal, merecia um outro cuidado, ou melhor, cuidado simplesmente. Ficando próximo do INATEL, que tem uma taxa de ocupação elevada durante todo o ano, e com facilidade de acesso, a Avenida dos Castanheiros é, cada vez mais, um reduto de silvas e folhas mortas, que jazem desde alguns Outonos atrás, servindo apenas de estrada de acesso ao Salgueiral e Monte Novo e com uma fonte (de água canalizada, é verdade) que, não obstante as decapitações e outros actos de vandalismo terem revoltado a população, vai servindo para não-sei-bem-o-quê. Com um espaço destes, a ausência de uma requalificação séria soa-me a pornografia, sendo puro hardcore o facto de se insistir em atafulhar de polivalências outros locais já requalificados.
Outro caso que gostava de colocar é o chamado Pontão. Mas o que é aquilo? Com tantos moradores (e eleitores, portanto) e campistas que têm de passar por ali, como não há a decência de zelar pela segurança de tais transeuntes? Serão estas pessoas de segunda categoria? Perante isto poderão dizer-me que (1) não há alternativa porque precisamos de uma estrada com dois sentidos e ela já é estreita o suficiente e (2) que a maioria dos moradores tem meio de transporte. Estes argumentos têm tanto de pateta quanto de patético. Relativamente ao primeiro argumento, uma das alternativas possíveis seria a colocação de semáforos em ambas em entradas, que permitisse a colocação de um passeio; em relação à segunda, acho que nem merece um comentário que não seja à base de impropérios. Uma situação completamente abjecta, como abjecto foi dar prioridade à calçada da rua “do” Tony, ainda que concorde com ela. Primeiro está a segurança, depois o postal.
Outra zona que merece algum cuidado, mesmo que se afirme que não exista pessoas suficientes a utilizar para que tal seja feito, é a rua que desce da Venda Nova à Estação e a própria Estação. Ainda que pense que a Estação seja reduto da CP, a estrada não tem qualquer tipo de segurança: não há um passeio, nem iluminação suficiente durante o Inverno, em que os dias nos brindam com menos luz solar. Mais uma vez, parece-me mais importante a segurança dos que lá passam (e isto inclui turistas) do que a colocação de uma obra de arte em azulejos à entrada do Luso, se tivermos de optar. Mais uma vez, o postal.
Estes três casos que me incomodam, com laivos de alguma agressividade fruto da incompreensão, não se prendem somente com o Turismo, mas também – e sobretudo – com os que optaram por viver no Luso, sabendo nós que a satisfação dos moradores se reflecte no acolhimento dado a turistas e visitantes.
Haverá outros casos e outras incompreensões, mas por agora, fico-me por aqui, porque tanta pornografia junta só dá vontade de me esconder debaixo de mantas de dignidade, onde o embaraço seja mitigado.

8 comentários:

Pearl-Harbor disse...

Aproveitando o réptil... lembro uma área não menos digna de recuperação e de ordenamento de tráfego (de viaturas e pessoas)... Carpinteiros... (ou Espanha). Naquela descida que faço diariamente já apanhei alguns sustos por causa do pessoal que pensa que a estrada dá sempre para mais um, quando assim não é. É incompreensível... aquilo devia ter apenas um sentido de tráfego. Além disso, todo aquele espólio que remete para os usos e costumes e, no fundo, reflecte a verdadeira identidade e as raízes desta nossa terra, deveria ser recuperado e constituir um núcelo museológico, contribuindo,também, para o dito Postal.

Haja coragem e, naturalmente, tusto...

El Tonel disse...

Valeu a pena termos feito o nosso fã-club.

Até que enfim.

A malta da bucha aplaude!

Ganda Mulher...

Anónimo disse...

Obrigada, El Tonel, a admiração é mútua.
Esqueci de referir, em jeito de nota, que amanhã, sábado (6 Agosto), sairá na "Grande reportagem" (suplemento dos jornais DN e JN) uma reportagem sobre o Luso, pelo pior dos motivo: a seca.

O Grama-o-Fone disse...

Cara Lua,

0 que dizer?
São os problemas da "Micro-regionalização"

Boa!

Anónimo disse...

Pearl, aí está um outro caso. Quanto à necessidade de coragem e dinheiro para tais melhoramentos, penso, sinceramente, que seja esse o problema. Isto porque se fazem outras coisas mais arrojadas nas quais o dinheiro público é investido. A questão, parece-me, prende-se com os critérios que subjazem a tais decisões de melhoramento de alguns locais em detrimento de outros. Não sou desconfiada por natureza, mas confesso que, quando penso nesses possíveis critérios, tenho a sensação de estarem a fazer de mim (e dos outros) tola.

Anónimo disse...

Ai as nalgadas...lol

Anónimo disse...

Bem, a terra dos feijões e batatas não tem que ser uma das alternativas, mas se for, as do vale perto da ex-padaria do Sr. Pedrosa também são...
Quanto aos Castanheiros (shui, Bambi)não me parece que o senhor Midas (que, como reza a história, tudo em que tocava se transformava em ouro e lá para o final da 'estória' também que cresceram uma orelhas de burro)tenha um poder assim tão grande que dificulte a requalificação daquele espaço. Não sabia desse projecto para um hotel, mas o facto de o hotel não ter avançado não significa que o espaço fique em tal deplorável estado. Ou só os 'lobbies' dos hoteleiros fazem funcionar a política nesta terra?

Anónimo disse...

E eles gostam de mais alguma coisa que não seja o sítio cativo deles?