
HISTÓRIAS COM MURAL
O LUSO ESTÁ A FICAR MENOS CINZENTO
Não, não é por causa deste blog...
...estou-vos a falar do mural, cujo desenho vai emergindo num muro situado num bairro da nossa terra, a já baptizada “Benda Noba”, onde o cinzento do betão vai dando lugar a milhares de azulejos coloridos.
(O tema não é novo, uma vez que a Lua, lá do seu alto, e em fase crescente, já o tinha observado antes de nós)
Não é assim minha pretensão continuar a debater as vantagens e desvantagens deste mural, mas somente relatar verdadeiros quebra-cabeças, que foram surgindo e a forma como foram sendo ultrapassados para se passar da palavra à acção, que é como quem diz: pôr no muro, o que está no papel.
O primeiro problema a superar consistia na selecção de alguém com dotes adequados para executar obra de tamanha dimensão e significado, tendo a escolha sido precedida de difícil e prolongada análise e discussão de todas as candidaturas.
Foi assim, com enorme satisfação e orgulho que acolhemos a notícia, de que a escolha recaiu sobre um artificie, nosso conterrâneo, que mostra que não somos pequeninos e que pudemos ombrear com os melhores.
Mas, logo surgiu um imprevisto.
Segundo testemunhos locais, o laborioso artificie, que se estreia nesta nova arte (não confundir com Arte Nova), fala a língua de Camões de uma maneira, que nem lembraria ao Bocage e que tem servido de referência ao famoso contador de anedotas Fernando “Pedra” , o que criou inúmeras dificuldades por parte da técnica responsável em conseguir transmitir as informações de uma forma entendível pelo artificie.
Felizmente, que a técnica, dotada de uma boa formação académica, dada pela Universidade “Religiosa”, primeiro estranhou, mas depois entranhou.
Agora é um prazer ouvi-la dar instruções, como por exemplo: - Já lhe disse um Col*** de vezes, que a Me*** dos azulejos azul escuro não podem sair destes risquinhos; Ou ainda, nas visitas de rotina, para verificar o andamento dos trabalhos:- Parece-me que, você hoje, não fez a ponta d’um C***; e dizem que já a viram a olhar para o muro e como que penitenciando-se das palavras azedas e injustas ditas ao pobre artíficie, tenha balbuciado, para os seus botões:- Pôrra, que o muro é grande com’ó C***.
Mas não pensem que os problemas da técnica ficaram por aqui.
Correram-se todas as fábricas do país e do estrangeiro, à procura de azulejos, com um formato especial para esta obra.
Todos eles, lhe mostravam os azulejos mais modernos que tinham e diziam: -Só temos 11x11, 20x20, 30x30, ...também temos rectangulares.... mas nenhuns serviam os propósitos da técnica.
Até que, numa derradeira tentativa, junto aos vendedores de materiais da nossa terrinha, e com mais umas miseráveis amostras quadradas e rectangulares, nas mãos, terá dito, em perfeito desespero:
“Só me apetece partir esta M*** toda”.
Todos eles, lhe mostravam os azulejos mais modernos que tinham e diziam: -Só temos 11x11, 20x20, 30x30, ...também temos rectangulares.... mas nenhuns serviam os propósitos da técnica.
Até que, numa derradeira tentativa, junto aos vendedores de materiais da nossa terrinha, e com mais umas miseráveis amostras quadradas e rectangulares, nas mãos, terá dito, em perfeito desespero:
“Só me apetece partir esta M*** toda”.
E assim, lhe caíu a solução aos seus pés, na forma de mil pedaços de azulejos partidos, nos mais variados feitios.
Mural da história:
"Há ideias de Me***, que podem tornar-se boas soluções"
11 comentários:
Caro Albardas,
não vejo inconveniente algum no mural, pelo contrário, refiro-me a ele como sendo uma obra de arte e, por isso, nunca colocando a tónica na discussão de se saber se há ou não desvantagens. A questão que coloquei foi a de critérios para iniciar alguns projectos em detrimento de outros, aparentemente (?), esquecidos.
A questão que coloco remete-me para um jornalista inglês, que em alturas do Euro 2004, que tanto nos orgulhou, se questionava acerca do investimento de Portugal em estádios e afins quando o país tinha tanta coisa para resolver. Como diz o dito popular, «Com papas e bolos se enganam os tolos». Parecer-lhe-á, e provavelmente aos participantes neste blog, que estas questões são de 'lana caprina' e ao nível do mais negativo senso-comum que possa existir.
Penso que as sociedades têm de evoluir de modo sustentado e que as pessoas para usufruírem da arte condignamente têm de ter quotidianos que o permitam. Isto não significa, porém, que defenda que a arte só possa surgir quando estiver tudo resolvido, porque sabemos que a arte é a mola impulsionadora para muito da emancipação humana. Mas também é verdade que a arte comprometida com a esfera política se chama “propaganda”.
É que, coincidência ou não, desconfio sempre de obras que se iniciam pouco antes de eleições, pois nunca percebo exactamente o que está em causa.
Estou a sentir-me papaguear: nunca ninguém colocou em causa a vantagem ou não de tal obra, o enriquecimento do Luso ou qualquer coisa que diga respeito à obra em si...Asdrubal, o que é que tem que ver a conclusão da obra com aquilo que eu disse?
Eu acho que aquilo vai dar um ar modernaço à tasca com mais "peso" no Luso.
Até nos vamos sentir mais coloridos.
Conforme, refiro no texto, não é de todo minha pretensão, questionar o que quer que seja, relativamente ao mural.
Este apenas serviu de suporte a um texto que pretendia simplesmente descomprimir e deixar uma mensagem a todos os bloguistas: que todas as ideias podem ser válidas, mesmo que nos pareçam disparatadas.
Tal como na história, quando a técnica encontrou o formato ideal dos azulejos, que procurava ao tomar uma atitude impensada, partindo os azulejos.
Em relação, a politiquices, que eu e o meu jerico detestamos, mas estamos atentos, sempre fomos apologistas de que é sempre bom quando se está a fazer alguma coisa, sem nos esquecermos, contudo, se antes também já se fez alguma coisa.
Porque connosco, ninguém faz farinha.
É bem verdade, caro Albardas. Mas por vezes quem faz as coisas não precisa de palcos, pois a acção vale por ela mesma.
As luzes da ribalta seduzem sempre, não é?
Espero que partilhe a ideia democrática de que exercer a nossa cidadania, nem que seja "apenas" pelo voto, também seja fazer alguma coisa.
absolutamente de acordo.
e olhe que eu e o meu jerico, nunca faltamos ao nosso dever cívico. Parece-me que é o mínimo que se exige para quem não quer ficar à espera que os outros decidam por si.
O que quer? Não há mais mulheres por aqui!(embora a perseguição só exista quando a presa o permite, mas sobre machos predadores falarei em contexto próprio)
Perdoe se compreendi mal as suas palavras, este calor insuportável está a começar a afectar as minhas capacidades intelectuais...
No entanto, como o senhor asdrubal se refere a criticas antes da obra concluída e como parece que foi essa a ideia que transmiti quando, num post meu, introduzi tal obra, achei natural que o seu comentário fosse nessa senda.
mas ó, meu amigo asdrubal.
vou ter de me repetir?
Não estou a criticar a obra!
Arre...
Já passei algumas vezes junto da dita "obra" e foi do meu agrado verificar que estão a fazer algo nesse monte de betão. Ao nível da "bricolage" dos azulejos não vejo uma técnica do car* segundo a autora. Um grande arquitecto de nome Gaudí fez belas obras com azulejos e outras peças cerâmicas, mas sem partir uma única, aproveitando o desperdício das fábricas. Claro que só um grande génio pode fazer tais beldades cerâmicas, harmonizando diferentes materias e acabamentos em belas formas artísticas expostas na bela cidade de barcelona.
É bem verdade a genialidade de Gaudí, que usou refugo de fábricas para compor tais obras (no fantástico Parque Guell, na não menos fantástica Barcelona). Boa!
Mas acho que isso vai tirar a mu(o)ralidade toda do post...
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