
A minha Maria, chegou hoje a casa quase a chorar:”Ó tonel, temos de mudar o jardim!”. “Pronto! Eu é que bebo e tu é que tás tola! Que bicho te mordeu?” perguntei. “É que hoje fui à missa e à saída vi um jardim, um daqueles jardins modernaços, mesmo em frente ao hotel. Ó Tonel, era tão lindo! Vamos tirar as sebes, o relvado, o grelhador e a piscina da garota e pomos lá uma coisa igual. Até pode ser que um dos teus amigos te arranje a brita à borla!” argumentou ela.”Tás maluca ou quê? Passas a vir comigo beber arrancadeiras na vez de ires à missa, se continuas com esse tipo de ideias!” disse eu. “Mas, ó Tonel, é que toda a gente importante gosta muito daquilo. Eu quero que a gente também seja importante! Temos de arranjar um bom casamento para a nossa Renata Vanessa, e olha que a entrada da casa é fundamental!” disse ela. “Mas a garota é tão pequenina!? Já tás a pensar nisso?” Perguntei eu. “É de pequenino é que se torçe o pepino! Afinal de contas as dívidas todas que fizemos para ela andar com roupa de marca, têem de ser acompanhadas com outras coisas” disse ela. “Lá estás tu outra vez com a mania das grandezas! Já viste se se toda a gente fizesse o mesmo, a nossa terra parecia um estaleiro de construção civil? Acalma lá os cavalos ou ficas tu por baixo logo à noite! Depois diz que te falta o ar!” ameacei eu. “Olha, depois até podiamos por catos entre os calhaus! Ficava lindo!” insistiu ela. “Para quê?... para quando eu chego com zigre cair em cima dos catos... da-se... é que é já a seguir! È que é mesmo já a seguir! Nem penses... e depois onde é que eu faço as grelhadas? Não! Vais ter de te contentar com o que tens!... Uma carrada de brita cheia de catos à porta de casa! Não me faltava mais nada!” disse eu. “E agora, para não te pores mais com ideias tolas, vai mazé fazer o almoço senão fica tarde para ter a digestão feita para a bucha de logo à tarde. Olha que vem cá muita gente a casa!” disse eu enquanto pegava nor jornal e me sentava no meu sofazito de napa brilhante castanha. “Outra vez esse bando de bêbados!” disse ela com ar de desdém. “Nããã... desta vez vem cá o nosso grande amigo Zé!”
4 comentários:
El tonel
com uma filha de nome Vanessa, a tua Maria, só pode ser...Albertina...
certo?
bem, se não for, errar é Humano!
Maria Agua-lusa Barrica (Com o casamento adotou tambem o meu nome). E a nossa pequenita chama-se Renata Vanessa Barrica Tonel (Vává prós amigos).
Tenho de ir... tenho aqui a malta e a bucha ao lume...
Só hoje fui ver o jardim à frente do GHL. Andava lá um jardineiro a colocar cactos, de molde a dar alguma "humanidade" ao inóspito da pedra. Ainda não sei se gosto, vou esperar para ver como vai ficar no final; lembrei-me da arte dos jardins japoneses (que são belíssimos )e mantenho alguma esperança de vir a gostar. Não obstante, penso que como entrada de um hotel das termas existiriam outras soluções que não uma imagem que invoque o deserto. Uma questão de bom-senso.
Elas até ficam contentes por a gente andar sempre fora de casa.
Não desarrumamos a casa, não arrotamos, não nos peidamos, não gastamos a comida da despensa, não praguejamos,não estorvamos a limpeza da casa, não lhe damos porrada e ainda lhes damos tempo para outras fantasias (se for caso disso)
Ora digam lá se isto não é ser-se liberal!!!
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